Não era para ter esse indiciamento, diz advogado de Mauro Cid à CNN sobre cartão de Bolsonaro
A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), disse à CNN que o indiciamento dele no caso da fraude do cartão de vacinação do ex-presidente não estava previsto no acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF).
Nesta terça (19), foi revelado que a PF indiciou o ex-presidente, o tenente-coronel e outras 15 pessoas por participação em esquema de fraude em registro no cartão vacinal contra a Covid-19.
“Não corresponde ao nosso acordo de colaboração premiada. Nós discordamos veementemente deste [indiciamento]. É uma agressão ao acordo que foi celebrado. Não era para fazer esse indiciamento”, disse o advogado Cezar Bitencourt.
Segundo apurou a CNN, Cid e Bolsonaro foram indiciados pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos.
Cid teria iniciado um esquema para forjar um certificado físico de vacinação para Covid-19 para sua esposa, segundo a PF. Posteriormente, houve a “adesão de outras pessoas, atuando de forma estável e permanente para inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 em benefício do então Presidente da República Jair Messias Bolsonaro”, sua filha e outras pessoas, de acordo com a corporação.
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De acordo com Bittencourt, a defesa irá questionar o relatório. “Esse questionamento, essa briga, é dentro dos autos que a gente vai ter. Com a Polícia Federal, com o ministro relator, seja com quem for. Não é para ser assim”.
Não é para fazer indiciamento. É para verificar a eficiência da delação. Em sendo eficiente — como foi, como foi reconhecido pela própria Polícia Federal de que a delação foi eficiente e contribuiu da forma que tinha que fazer — não pode ter aplicação de pena. É simples. Mas eu acho que não pode sequer haver denúncia. É isso que nós vamos questionar ainda
Cezar Bittencourt
Do lado de Bolsonaro, a estratégia será questionar o vazamento do relatório. A defesa do ex-mandatário já acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir esclarecimentos.
Bitencourt afirmou, no entanto, que não pretende seguir por este caminho. “Não muda nada [o vazamento]. A rigor, o que eu pretendo é questionar o próprio indiciamento. O Cid não poderia ser indiciado. Esse é o nosso acordo”, reiterou.
A CNN procurou a Polícia Federal para comentar as declarações do advogado e aguarda retorno.
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