Crítica: Marisa Abela é o ponto alto de filme sobre Amy Winehouse

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Quando a inglesa Marisa Abela foi anunciada intérprete na cinebiografia de Amy Winehouse muitos fãs torceram o nariz. Para além da falta de semelhanças físicas, críticos projetavam que a atriz teria dificuldades de incorporar a energia única da cantora, que se tornou símbolo de uma geração.

Contrariando as expectativas, a atuação de Abela é, sem dúvidas, um dos maiores acertos de Back to Black, que chegou nesta quinta-feira (16/5) nos cinemas do país. As incongruências entre as fisionomia de Abela e Amy são praticamente esquecidas à medida em que a intérprete agrega o comportamento e os gestos corporais da artista, incluindo os tiques verbais, associados após a morte da cantora à possibilidade dela ter desenvolvido a síndrome de Tourettes.

O talento da protagonista, contudo, não é suficiente para preencher as lacunas deixadas pelo roteiro, que para além de focar excessivamente na fragilidade emocional de Amy e do relacionamento conturbado com Blake Fielder-Civil, deixa de lado aspectos importantes da vida pessoal e da carreira dela.

Um dos impactos disso é na linha temporal, que não deixa claro, por exemplo, como Amy se tornou uma das artistas mais influentes da história e passou a ser seguida por repórteres e paparazzis.


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Aliás, as cenas em que Amy aparece sofrendo assédio da imprensa ou vivenciando situações vexatórias por causa do vício em drogas e em Blake tomam um espaço demasiado do longa. Outras abordagens polêmicas que podem soar incômoda para os fãs inclui ainda a forma como o ex-marido da cantora, responsável por introduzi-la às drogas, é retratado — mais como vítima da cantora do que o contrário.

Outro excesso do roteiro está na romantização a respeito da relação de Amy com o pai, Mitchel Winehouse. Embora a intérprete nutrisse grande afeto pelo patriarca e tenha feito até uma tatuagem para homenageá-los, a narrativa de que o empresário era o maior protetor de Amy não é unânime entre os seguidores da artista.

Apesar disso, as cenas reservadas para mostrar a relação próxima e terna de Amy com a avó, Cynthia Winehouse, assim como aquelas em que Abela solta a voz para convencer na pele da cantora, em cenários que transportam o público para pubs londrinos abafados, são as mais bonitas da produção. Justamente por isso, deixam um gostinho amargo no espectador, que certamente seria mais feliz se aprofundando na personalidade doce e no talento explosivo de Amy Winehouse.

Avaliação: Bom 

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